sexta-feira, 14 de setembro de 2012

FALAR E AGIR

Puxa!!!


Que me desculpe a humanidade... mas, muitas vezes, o mundo me parece assim (ou está do jeito como está), porque temos a cabeça muito ruim: Pensamos ou falamos de mais e agimos (fazemos) de menos. Significa isto que a nossa verborragia é boa, mas as atitudes e ações correspondentes... deixam a desejar.
O caso é que não adianta apenas saber (ter ou deter a informação intelectual), é necessário trazer não só os conceitos, mas nos esforçarmos para transpor tudo aquilo que sabemos ou estamos aprendendo, para as ações, para o campo prático, ou, numa linguagem poética: trazer da cabeça para as mãos, isto é, temos ou devemos fazer o esforço de aplicação daquilo que foi aprendido. Caso contrário, sofrendo a inaplicabilidade, o conteúdo seja intelectual, moral e etc., enfim, nossa aprendizagem, os conceitos ouvidos, as ideias coletadas (vistas, lidas, recolhidas, captadas... e etc.) caducarão. Ou seja, fenecerão tais como gramináceas tostadas sob o sol escaldante.
Como tudo o mais que não é exercitado, que não é movimentado etc., morre, entra em paralisia ou apodrece. Ocorre com o conteúdo intelectual aferido, mas não posto em prática, o mesmo, ou, tal como descrito nos Evangelhos com as sementes do semeador, acerca daquelas que caíram sobre pedregulhos: Por não terem encontrado terra profunda, saindo o sol, foram queimadas e morreram, não dando frutos! (Mt. 13.)
Sobre isto, estas duas asas - Sabedoria e Amor - diz-nos a Espiritualidade Amiga: Além de necessárias, são os únicos caminhos que podem levar os homens (o ser) a Deus.
Reflitamos! Se são "asas", significa que deverão estar e agir em equilíbrio. Ora, assim é necessário, porque, uma vez estando uma ou outra asa mais preponderante, ou maior, ou mais resistente, do que a outra, isto fará ou não permitirá que o pássaro, o avião, ou seja lá o que for, não voe. Nesta situação, o voo será impossível ou será um voo de bêbado!
E este fator também nos remete a outra conclusão muito interessante! Qual seja, esta definição (conceituação, concepção, ideia... como queiram) nos abre ou nos propicia uma inferência (ilação, dedução) bem precisa: Se são "asas" (poderíamos também dizer: instrumentos?), elas são complementares. Ou, em outras palavras, uma nos leva, incrementa, ajuda, reforça, apoia, fornece piso à outra e vice e versa!
Falando francamente, o exercício do Amor nos propicia mais Sabedoria. E exercitando a Sabedoria (pondo-a em ação), alcançaremos mais amor. E assim vamos! (Vice e versa!)
Podemos verificar estas mesmas definições e deduções na linguagem de Emmanuel, as quais encontramos em seu livro Pensamento e Vida, cáp. IV - Instrução:

"Através do amor valorizamo-nos para a vida.
Através da sabedoria somos pela vida valorizados.
Daí o imperativo de marcharem juntas a inteligência e a bondade.
Bondade que ignora é assim como o poço amigo em plena sombra, a dessedentar o viajor sem ensinar-lhe o caminho.
Inteligência que não ama pode ser comparada a valioso poste de aviso, que traça ao peregrino informes de rumo certo, deixando-o sucumbir ao tormento da sede.
Todos temos necessidades de instrução e de amor.
Estudar e servir são rotas inevitáveis na obra de elevação."

Após isto, creio não ser necessário fazer outros acréscimos.
É isso aí!!!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

DE FATO, RACIOCINAMOS?

Pensador Rodin
INTRODUÇÃO:

Pensamos de verdade? Ou, nossos pensamentos ocorrem independentes de nossa vontade, quase que por si sós?

Essa dificuldade de raciocinar, de analisar fatos, ideias, conceitos, acontecimentos etc., seria uma das razões de nossa tendência de seguir a corrente, a onda, a maré?

Se de fato pensássemos, se raciocinássemos, aceitaríamos (absorvendo com tanta facilidade) muitas das teorias, ideias etc., ou, conceitos esdrúxulos, existentes por aí?  

O que diferencia um pensamento ativo (com a participação de nossa vontade, de nossa atenção, de nosso campo consciente), de um pensamento passivo (onde não nos damos conta dele, ou que entra de um lado e sai do outro (como se diz), sem deixar maiores vestígios)?  E quais as consequências de tudo isto?


DECLARAÇÃO SENSATA:

A seguir nos atrevemos a responder estas questões, no entanto, declaramos não termos a pretensão de darmos uma resposta finalística, acabada, pronta!, mas, sim, gostaríamos de, pelo menos, chamar a atenção para esta realidade e para que nossos leitores se atentassem (viessem a refletir, mesmo que por pouco) sobre esta não muito aparente realidade.


ALZHEIMER:

Agora entendo porque o mal de Alzheimer está, cada vez mais, de moda. Simples, é porque as pessoas se negam, igualmente, cada vez mais, a pensarem por si mesmas, a pôr o próprio cérebro para trabalhar. E já se sabe, de há muito, que "qualquer coisa" que não movimenta, não se exercita, não trabalha etc., enferruja, emperra, danificam-se. A mesmíssima coisa, acontece com o nosso corpo: Qualquer uma de suas partes que não seja exercitada, atrofia-se!


PENSAR:

Por isto, o Alzheimer e outras doenças semelhantes estão aí. Simplesmente por falta de exercício mental. Por mais nos pareça pouco crível, é uma realidade que podemos constatar se nos dermos ao trabalho. Mas, por que não gostamos de pensar? E, quando digo pensar, é no sentido de uma elaboração ativa de ideias, de raciocínio, em poucas palavras, de um pensar ativo; e não no sentido de ficar imaginando coisas, divagando, ou de um pensamento passivo, isto é, resultante apenas da simples existência em nós da onda mental, à qual chamamos de pensamento. E, diga-se de passagem, esta onda, em nós humanos, é contínua, ininterrupta!


MENTE:

Fazendo uma analogia, a nossa mente é qual um instrumento de cordas e a onda mental, propriamente, as cordas deste instrumento. Quando as cordas são tangidas, o instrumento reproduz um determinado som: O pensamento, ou um outro de seus múltiplos processos!  No entanto, o som é resultante da vibração das cordas que o instrumento amplifica, direciona, controla etc. Assim, os nossos pensamentos - de per si - são ondas mentais.


PENSAMENTOS:

Quando as cordas, são tangidas de fora para dentro, na maioria das vezes, a resultante é um pensamento passivo. Ou seja, o indivíduo não terá aí (nesse contexto) um papel ativo. Podemos dizer, concretamente, que sua mente funciona por si só!  Como exemplos de pensamentos passivos, podemos citar a imaginação fortuita, o devaneio, a fantasia, o sonho etc. Ou seja, tudo aquilo que acontece ou ocorre - em nossa mentalidade - sem nossa participação ativa. Por isso disse: imaginação fortuita, diferindo esta da imaginação criativa, porque esta última exige uma participação atuante do sujeito, além de outras propriedades ativas da mente.


COMODISMO: 

Mas, por que não "gostamos" de pensar?  Não sei responder, com exatidão. No entanto, observando os indivíduos notamos uma forte tendência ao comodismo, em seguir a lei do menor esforço, a uma busca pela evitação de trabalho, enfim, de tudo que vá contra à inércia. Esse mesmo movimento nos leva a fugir de conflitos, à evitar os atritos, nos projetando na mesma bifurcação do comodismo. Então, por estas e outras, adotamos (assimilando passivamente) os papeis culturais e sociológicos do meio no qual nascemos, somos criados e vivemos.


ACEITAÇÃO TÁCITA:

Por todas estas razões, vamos "aceitando" tudo que nos é ensinado, que aprendemos, observamos e etc., tais como esponjas, mas, sem passarmos todo esse material pelo crivo de uma mentalização ativa. Mentalização no sentido de operação mental, de raciocinar, argumentar, analisar, classificar, pensar ativamente, relacionar, avaliar etc.... Porém, esse processo de aceitação passiva, até um certo ponto, é natural e normal.


A INFÂNCIA:

Nesse pequeno período, esse processo é natural, porque, a criança - em termos de personalidade em formação - não detém todas as funções de sua mente operando no modo ativo, se assim pudermos definir. Isto é, na criança as operações mentais estão a nível de espírito, portanto, os resultados (elaborações) desses processos não alcançam o consciente da personalidade. A criança até compreende e entende, mas não consegue devolver o resultado do processamento (rsrs), por ter sido efetuado a nível de espírito. Uma das consequências dessa situação: A criança aceita tudo como certo, como verdade incontestável. Sem oposição, sem questionamentos...


MOVIMENTO INERCIAL:

Entretanto, mais ou menos, a partir dos sete anos, quando sua mente já detém funções mais elaboradas, período esse em que o funcionamento ativo da mente deveria começar a desabrochar, na persona em crescimento, a criança pode já se encontrar em avançado processo de estabilização (cristalização) no comodismo mental. Uma das razões, deve-se à falta de incentivo, e mesmo ao sufocamento, por parte de nossos pais e tutores, em usarmos nossos cérebros. Criança não deve se preocupar, dizem alguns. Já notaram que a maioria das brincadeiras e brinquedos infantis não ajudam no exercício do raciocínio, da reflexão, da análise e etc?


CONTEXTO:

Com isto, a partir daí, tendo a mente em franco acomodamento inercial em seus processos, todo o material recebido ou que se recebe continuará não sofrendo nenhuma análise, nenhuma crítica, nenhum questionamento etc. de nossa parte. E, por mais estranho que possa parecer, aprendemos, ou melhor, somos educados, tanto em casa quanto nas faixas primárias e secundárias da educação escolar, de que agir assim é o adequado, e é até mesmo o desejável. Ou seja, devemos aprender, arquivar as informações na memória, mas, não podemos e não devemos questionar, indagar etc. (Deve ser para não dar ou trazer mais trabalho aos pais e/ou educadores.) Lembro de minha infância, quando vi pela primeira vez o mapa mundi e fui falar ou perguntar, já não recordo com exatidão, pra professora, que o Brasil era "colado" na Africa, levei a maior bronca. Hoje, se sabe que tal de fato se deu!


CONSEQUÊNCIAS:

Essa educação dogmática, ou seja, na qual a criança (o ser) não pode questionar e nem contra-argumentar etc, nos leva a não aprendemos a pensar, a raciocinar, a fazer questionamentos... Por isto temos a tendência de "funcionar" dentro do instinto de rebanho, como componentes da massa. Aí está uma das razões de porque apenas pequeníssima porcentagem de indivíduos despontam de seu meio, divergindo (destoando, discrepando, diferindo) deste ou em relação a este. Essa ocorrência se dá, até mesmo, em razão de e por sermos educados pelos acomodados, pelos que buscam o estado de inércia.


APRENDIZAGEM PASSIVA:

E nesse processo todo, acabamos desenvolvendo o hábito de simplesmente absolvermos o que aprendemos, em todos os terrenos, sejam eles religiosos, sociais... numa palavra: sociocultural. Apenas e quando entramos em cursos de graduação (conhecido, antigamente, como Curso Superior) é que vamos ter noções ou aprender, um pouco, a pensar e a questionarmos nossas crenças, a não aceitarmos nada passivamente. (O problema, principalmente, nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, é que essa possibilidade, de se fazer um Curso Superior, se restringe a bem poucos.) Daí, ser os estudantes os que mais fazem protestos. Vide, por exemplo, um pouco da retratação de todos estes conceitos no filme "Sociedade dos Poetas Mortos".


QUEBRANDO O PADRÃO:

Deveríamos crescer aprendendo a pensar, isto é, deveríamos receber incentivo e direcionamento no uso de todas as nossas faculdades mentais (as conhecidas hoje, pois existem faculdades - "poderes" - que o nosso nível evolutivo não permite acesso). Portanto, nossos pais e educadores deveriam nos ensinar a questionar e a analisar nossas crenças, a refletir (pensamento ativo), ponderar sobre o que nos é ensinado, inclusive e principalmente, por eles mesmos. No entanto, isso não acontece assim. Antes, muito pelo contrário! Depois, no futuro, quando já adultos, mantemos o mesmo padrão. Resultado, sair desse comodismo, quebrar essa tendência à inércia (ou seja, puramente de absorção passiva), demandará muito mais esforços, mais boa vontade, mais disposição de nossa parte e/ou desejo de sair do lugar comum.


FORÇAS CONTRÁRIAS:

Ironicamente, como se já fosse muito fácil, essa busca, esse posicionamento ao questionamento, à argumentação, à contraposição etc., não é muito bem vista por uma boa maioria. E, a partir deste contexto, assumimos (elegemos) a postura de passividade como a certa, como assentada e como a melhor. Então, daqui pra frente, aí daqueles que tentam nos tirar de nossa gostosa inércia, de nosso sono. Daqueles que acionam nossas consciências! Aí deles, pois terão de se haver com as nossas vibrações de raiva, de desapontamento, de insatisfação e/ou de tantas outras. Isto, quando não sofrem, pura e simplesmente, a reação da violência; um exemplo é Jesus, Ele foi um dos que sofreram na pele as consequências deste contexto!


RESULTADO FINAL:

Assim, na Vida, iremos encontrar os acomodados, aqueles satisfeitos com sua posição, lutando ferrenhamente para mantê-la (mesmo significando isto ir contra a corrente do Universo, mas, isto pouco importa para eles, desde que seu Status Quo seja mantido, e, por mais incrível possa parecer, a ideia mais utilizada, para alcançarem seus desideratos, é a de Deus ou a religiosa); então, conforme dizíamos, lutam pelo estado comum (parece que o novo sempre nos assustam, temos uma resistência natural a ele), pelejando pela manutenção de suas ideias, de suas crenças, de seus conceitos, modo de ver, pensar etc.


CONTRAPOSIÇÃO:

No outro lado desta moeda, deparamo-nos, apesar de serem em menor número (por enquanto, pois que estão em patente aumento), com os que estão pugnando, se esforçando, no exercício de seu direito e dever inato, como ser, como espíritos criados que são, e destinados à evolução, ou seja, lutando e se esforçando continuamente para pensar, para raciocinar, para analisar, avaliar tudo aquilo que recebem, veem, ouvem, aprendem, observam etc.. Estes são os Einsteins da vida, são aqueles que avançam intimoratos em sua jornada rumo à perfeição, ao crescimento pessoal, individual, à maturidade, aprimorando, cada vez mais, seu bom-senso, afinando mais e mais sua razão e todos os demais processos (atributos) mentais existentes em seu ser.


CONCLUINDO:

No andar da carruagem, a existência de um confronto entre estes dois lados, se torna normal, até natural. No entanto, há que se observar, os indivíduos maduros, em franco processo de crescimento pessoal, espiritual, psicológico e etc. não se atém e não são paralisados pelas tentativas dos acomodados de manterem seu padrão, seu status, de funcionamento da "vida". Eles sofrem esse entrechoque, é certo, e, às vezes, são alvo de perseguições de todos os tipos; com isto, alguns retrocedem, retornando ao Status Quo, por motivos e razões várias, entretanto, outros, não se desanimam e apesar de tudo e com tudo seguem em frente!


HOMENS DO FUTURO:

Os homens, mulheres e jovens do lado ativo, isto é, os que buscam pôr seus cérebros para funcionarem, para trabalhar, são os "homens" do futuro, ou seja, o homem do amanhã. Ou, nas palavras de Jesus: Os Filhos do Homem! Quanto aos demais, aqueloutros, tenderão ao desaparecimento de por sobre nossa Terra (que caminha célere rumo a um nível maior de aperfeiçoamento de todos os potenciais que guarda e detém), assim, os acomodados estão destinados a outras plagas, mais compatíveis com seus desejos e aspirações.


TRABALHO INCESSANTE:

Quando dizemos isto, e, assevero com total segurança, não estamos sós, pelo menos, neste quesito, os acomodados riem e, alguns, chegam a fazerem galhofas. Tudo bem! Aguardemos, com calma e serenidade, o desenrolar dos acontecimentos. No entanto, não deveríamos esperar para fazermos alguma coisa, pois basta pensar: Qual é a tendência do Universo? Seria à inércia? À acomodação? Disse-nos Jesus, demonstrando o labor contínuo e incessante de Deus: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (Jo. 5:17). Então, qual o rumo consideras melhor? mais exato? Diante disto, ora pois, estás esperando o quê?

sábado, 8 de setembro de 2012

EL MOSQUETÓN - EXPLICAÇÕES...

El Mosquetón é uma novela, no caso, mais propriamente, um seriado. E como tal é uma peça de ficção, portanto, qualquer similaridade com circunstâncias, situações, pessoas e etc é mera coincidência!


Nesse seriado estaremos narrando as várias vivências, problemas, circunstâncias etc da vida na pele de El Mosquetón. Desta forma, projetando como se fosse ele quem estivesse vivenciando, passando ou se envolvendo nesses acontecimentos, aventuras e etc.
Terá um cunho moral? Ora, sem dúvida alguma e o tanto quanto possível. Para quem busca apenas diversão, já existem cinemas, TV, DVDs... e um mundão de coisas. Portanto, para que repetirmos o óbvio?! Se vamos fazer ou perder tempo com alguma coisa que seja algo, pelo menos, instrutivo, não é?! 



Mas, antes de iniciarmos, falemos alguma coisa sobre o mundo real de El Mosquetón e, tentar, falar do porque da escolha. Então...

Por que, El Mosquetón?! Bom, me faz lembrar dos "mosqueteiros" que vivenciaram milhares de aventuras. Além disto, conta-se que foram exímios espadachins... (espadachins, entenderam?! rsrs) Defendiam o Rei e a Verdade... Então, tentei uma forma de parodiar as circunstâncias da Vida fazendo com que quem sabe torná-las mais palatáveis. E iniciamos, desde já, pelo próprio nome e escolha do personagem principal: El Mosquetón!

Dito isto, vamos tentar dar algumas pinceladas sobre o mundo efetivo (não confunda com afetivo, que trocadilho triste - rsrs) de El Mosquetón...

O mundo dos insetos, classe dos artrópodes, é muito vasto e amplo (formam a maior classe do Reino Animal, sendo a mais numerosa de todos os grupos, estão descritas até o momento cerca de, pelo menos, 800.000 espécies). E eles se revestem de ampla importância para todas as formas de vida no planeta Terra. Entretanto, não vou adentrar-me em todos estes meandros, senão o assunto ficaria muito extenso. Por isto, resolvi abordar (focar) apenas na "família" que conhecemos vulgarmente por mosquitos.


Sob este aspecto, temos mosquitos para todos os gostos e feitios... (Hehehe!) E, antes que chovam perguntas, a foto é de uma Mutuca Diptera Brachycera alimentando. Mas, continuando... Temos os "perna-longas" (rsrs!) que compõem-se de uma enorme família! Nem vou mencioná-las. As moscas igualmente se subdividem em várias "raças"... a doméstica, a mosca-da-uva, a mosca-brava, a varejeira etc. Depois, temos as mutucas, os borrachudos... enfim, existem mosquitos verdes, azuis, amarelos... Arfffff!!!



Muito bem, para informes inciais creio ter sido suficiente. Assim, até o próximo capítulo que não sei quando será! (hehehe!) Isso tá tal e qual seriado americano. Será que vai dar filler no final?! (rsrs!)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO?



O Espiritismo é uma Religião?
- Discurso de Abertura do Sr. Allan Kardec na Sessão Anual Comemorativa dos Mortos (Sociedade de Paris, 1.º de Novembro de 1868).

Onde quer que se encontrem duas ou três pessoas reunidas em meu nome, aí estarei com eles" - Mateus XVIII, 20.


Caros irmãos e irmãs espíritas.

Estamos reunidos, neste dia consagrado pelo uso à comemoração dos mortos, para dar aos nossos irmãos, que deixaram a Terra, um testemunho particular de simpatia; para continuar as relações de afeição e de fraternidade que existiam entre eles e nós em vida e para chamar sobre eles a bondade do Todo-Poderoso. Mas, porque nos reunirmos? Não podemos fazer, cada um em particular, o que nos propomos fazer em comum? Qual a utilidade que pode haver em se reunir assim num dia determinado? Jesus indica-nos pelas palavras citadas em epígrafe. Esta utilidade está no resultado produzido pela comunhão de pensamentos que se estabelece entre pessoas reunidas com o mesmo objectivo.   Mas compreende-se bem todo o alcance da expressão: "Comunhão de pensamentos?" Seguramente, até este dia, poucas pessoas dela tinham feito uma idéia completa. O Espiritismo, que nos explica tantas coisas, pelas leis que nos revela, vem ainda explicar-nos a causa, os efeitos e o poder desta situação do espírito.

Comunhão de pensamento quer dizer pensamento comum, unidade de intenção, de vontade, de desejo, de aspiração. Ninguém pode desconhecer que o pensamento seja uma força; mas é uma força puramente moral e abstracta? Não; do contrário não explicariam certos efeitos do pensamento e, ainda menos, a comunhão do pensamento. Para o compreender, é preciso conhecer as propriedades e a acção dos elementos que constituem a nossa essência espiritual e é o Espiritismo que nos ensina isso.

O pensamento é o atributo característico do ser espiritual; é ele que distingue o espírito da matéria: sem o pensamento, o espírito não seria espírito. A vontade não é atributo especial do espírito: é o pensamento chegado a um certo grau de energia; é o pensamento tornado força motriz. É pela vontade que o espírito imprime aos membros e ao corpo movimentos num determinado sentido. Mas se ele tem a força de agir sobre os órgãos materiais, como não deve ser maior esta força sobre os elementos fluídicos que nos cercam! O pensamento age sobre os fluídos ambientes, como o som age sobre o ar; esses fluídos trazem-nos o pensamento, como o ar traz-nos o som. Pode, pois, dizer-se com toda a verdade que há nesses fluídos ondas e raios de pensamentos que se cruzam sem se confundir, como há no ar ondas e raios sonoros.

Uma assembléia é um foco onde irradiam pensamentos diversos; é como uma orquestra, um coro de pensamentos em que cada um produz a sua nota. Resulta daí uma porção de correntes e de eflúvios, cada um dos quais recebe a impressão pelo sentido espiritual, como num coro de música cada um recebe a impressão dos sons, pelo sentido da audição.

Mas, assim como há raios sonoros harmônicos ou discordantes, também há pensamentos harmônicos ou discordantes. Se o conjunto for harmônico, a impressão será agradável; se for discordante, a impressão será penosa. Ora, para isso não é preciso que o pensamento seja formulado em palavras; a radiação fluídica não existe menos, seja ou não expressa; se todas forem benevolentes, todos os assistentes experimentarão um verdadeiro bem-estar e sentir-se-ão à vontade; mas se se misturarem alguns pensamentos maus, produzem o efeito de uma corrente de ar gelado num meio tépido.

Tal é a causa do sentimento de satisfação que se experimenta numa reunião simpática; aí como que reina uma atmosfera moral salubre, onde se respira à vontade; daí se sai reconfortado, porque se ficou impregnado de eflúvios fluídicos salutares. Assim se explica, também, a ansiedade, o mal-estar indefinível que se sente num meio antipático, onde pensamentos malévolos provocam, por assim dizer, correntes fluídicas malsãs.

A comunhão de pensamentos produz, assim, uma espécie de efeito físico, que reage sobre o moral; é o que só o Espiritismo poderia dar a compreender. O homem sente isso instintivamente, desde que procure as reuniões onde sabe que encontra essa comunhão. Nas reuniões homogêneas e simpáticas adquire novas forças morais; poder-se-ia dizer que aí recupera as perdas fluídicas que tem diariamente, pela radiação do pensamento, como recupera pelos alimentos as perdas do corpo material.

A esses efeitos da comunhão dos pensamentos junta-se um outro que é a sua conseqüência natural, e que importa não perder de vista: é o poder que adquire o pensamento ou a vontade, pelo conjunto de pensamentos ou vontades reunidas. Sendo a vontade uma força activa, esta força é multiplicada pelo número de vontades idênticas, como a força muscular é multiplicada pelo número de braços.

Aceite este ponto, concebe-se que nas relações que se estabelecem entre os homens e os Espíritos, haja, numa reunião onde reine uma perfeita comunhão de pensamentos, uma força atractiva ou repulsiva, que nem sempre possui o indivíduo isolado. Se, até agora, as reuniões muito numerosas são menos favoráveis, é pela dificuldade de obter uma homogeneidade perfeita de pensamentos, conseqüente da imperfeição da natureza humana na terra. Quanto mais numerosas as reuniões, mais aí se misturam elementos heterogêneos, que paralisam a acção dos bons elementos, e que são como grãos de areia numa engrenagem. Assim não acontece nos mundos mais adiantados, e tal estado de coisas mudará na Terra, à medida que os homens se tornarem melhores.

Para os espíritas a comunhão de pensamentos tem um resultado ainda mais especial. Vimos o efeito dessa comunhão, homem a homem; o Espiritismo prova-nos que não é menor dos homens para os Espíritos, e reciprocamente. Com efeito, se o pensamento colectivo adquire força pelo número, um conjunto de pensamentos idênticos, tendo o bem por objectivo, terá mais força para neutralizar a acção dos maus Espíritos; assim, vemos que a táctica destes últimos é impelir para a divisão e para o isolamento. Sozinho, o homem pode sucumbir, ao passo que se sua vontade for corroborada por outras vontades, poderá resistir, segundo o axioma: "A união faz a força", axioma verdadeiro tanto no moral quanto no físico.

Por outro lado, se a acção dos Espíritos malévolos pode ser paralisada por um pensamento comum, é evidente que a dos bons Espíritos será secundada. A sua influência salutar não encontrará obstáculos; não sendo os seus eflúvios fluídicos detidos por correntes contrárias, espalhar-se-ão sobre todos os assistentes, precisamente porque todos os terão atraído pelo pensamento, não cada um em proveito pessoal, mas em proveito de todos, conforme a lei da caridade. Descerão sobre eles em línguas de fogo, para nos servir de uma admirável imagem do Evangelho.

Assim, pela comunhão de pensamentos, os homens assistem-se entre si e, ao mesmo tempo, assistem os Espíritos e são por estes assistidos. As relações entre o mundo visível e o mundo invisível não são mais individuais, são colectivas, e, por isso mesmo, mais poderosas para o proveito das massas, como para o dos indivíduos. Numa palavra, estabelece a solidariedade, que é a base da fraternidade. Ninguém trabalha para si só, mas para todos, e trabalhando por todos cada um aí encontra a sua parte. É o que não compreende o egoísmo.

Graças ao Espiritismo, compreendemos então, o poder e os efeitos do pensamento colectivo; explicamos melhor o sentimento de bem-estar que se experimenta num meio homogêneo e simpático; mas sabemos, igualmente, que acontece o mesmo com os Espíritos, porque eles também recebem os eflúvios de todos os pensamentos benevolentes que para eles se elevam, como uma nuvem de perfume. Os que são felizes experimentam uma maior alegria por esse concerto harmonioso; os que sofrem sentem um maior alívio.

Todas as reuniões religiosas, seja qual for o culto a que pertençam, são fundadas na comunhão de pensamentos; é aí, com efeito, que esta deve e pode exercer toda a sua força, porque o objectivo deve ser o desprendimento do pensamento das garras da matéria. Infelizmente, na sua maioria, afastaram-se desse principio, à medida que faziam da religião uma questão de forma. Disso resultou que cada um, fazendo consistir o seu dever na realização da forma, julga-se quite com Deus e com os homens quando pratica uma fórmula. Disso resulta ainda que "cada um vai aos lugares de reuniões religiosas com um pensamento pessoal, por sua própria conta, e o mais das vezes sem nenhum sentimento de confraternização em relação aos outros assistentes; está isolado no meio da multidão e não pensa no céu senão para si mesmo".

Certamente não era assim que o entendia Jesus quando disse: "Quando estiverdes diversos reunidos em meu nome, estarei no meio de vós". Reunidos em meu nome quer dizer com um pensamento comum; mas não se pode estar reunido em nome de Jesus sem assimilar os seus princípios, a sua doutrina. Ora, qual é o principio fundamental da doutrina de Jesus? A caridade em pensamentos, palavras e obras. Os egoístas e os orgulhosos mentem quando se dizem reunidos em nome de Jesus, porque Jesus os desautoriza como seus discípulos.

Feridas por estes abusos e por estes desvios, há criaturas que negam a utilidade das assembléias religiosas e, por conseguinte, dos edifícios consagrados a tais assembléias. No seu radicalismo, pensam que melhor seria construir hospícios do que templos, uma vez que o templo de Deus está em toda a parte, que pode ser adorado em toda a parte, que cada um pode orar em casa e a qualquer hora, ao passo que os pobres, os doentes e os enfermos necessitam de lugares de refúgio.

Mas pelo facto de se cometerem abusos, por se afastarem do caminho recto, segue-se que não existe o caminho recto e que tudo aquilo de que se abusa seja mau? Falar assim é desconhecer a fonte e os benefícios da comunhão de pensamentos, que deve ser a essência das assembléias religiosas; é ignorar as causas que a provocam. Que os materialistas professem semelhantes idéias, concebe-se; porque, para eles, em todas as coisas fazem abstracção da vida espiritual; mas da parte dos espiritualistas e, melhor ainda, dos espíritas seria um contra-senso. "O isolamento religioso, como o isolamento social, conduz ao egoísmo". Que alguns homens sejam bastante fortes por si mesmos, muitos largamente dotados pelo coração, para que a sua fé e a sua caridade não necessitem ser reaquecidas, num foco comum, é possível; mas assim não se dá com as massas, à qual é preciso um estimulante, sem o qual elas poderiam deixar-se ganhar pela indiferença. Além disso, qual o homem que possa dizer- se bastante esclarecido para não ter nada a aprender no tocante aos interesses futuros? É bastante perfeito para dispensar conselhos na vida presente? É sempre capaz de instruir-se por si mesmo? Não; à maioria são necessários ensinamentos directos em matéria de religião e de moral, como em matéria de ciência. Sem contradita, esse ensinamento pode ser dado em toda a parte, sob a abóbada do céu, como sob a de um templo; mas porque não teriam os homens lugares especiais para os negócios do céu, como o têm para os negócios da Terra? Porque não teriam assembléias religiosas, como têm assembléias políticas, científicas e industriais? Aqui está um jogo onde se ganha sempre, sem que ninguém perca. Isto não impede as fundações em proveito dos infelizes; mas dizemos a mais que "quando os homens compreenderem melhor os seus interesses do céu, haverá menos gente nos hospícios".

Se as assembléias religiosas - falamos, em geral, sem alusão a qualquer culto - muitas vezes se afastaram bastante do objectivo primitivo principal, que é a comunhão fraterna do pensamento; se o ensino que aí é dado nem sempre seguiu o movimento progressivo da humanidade, é que os homens não realizam todos os progressos ao mesmo tempo; o que não fazem num período, fazem-no noutro; à medida que se esclarecem, vêem as lacunas que existem nas suas instituições e as preenchem; compreendem que o que era bom numa época, em relação ao grau de civilização, torna-se insuficiente num estado mais adiantado e restabelecem o nível. Sabemos que o Espiritismo é a grande alavanca do progresso em todas as coisas; marca uma era de renovação. Saibamos, pois, esperar, e não peçamos a uma época mais do que ela pode dar. Como as plantas, é preciso que as idéias amadureçam para serem colhidos os frutos. Além disso, saibamos fazer as concessões necessárias nas épocas de transição, porque nada, na n atureza, se opera de maneira brusca e instantânea.

Dissemos que o verdadeiro objectivo das assembléias religiosas deve ser a "comunhão de pensamentos"; é que, com efeito, a palavra "religião" quer dizer "laço". Uma religião, em sua acepção nata e verdadeira, é um laço que "religa" os homens numa comunidade de sentimentos, de principio e de crenças. Consecutivamente, esse nome foi dado a esses mesmos princípios codificados e formulados em dogmas ou artigos de fé. É neste sentido que se diz: "a religião política"; entretanto, mesmo nesta acepção, a palavra "religião" não é sinônimo de "opinião"; implica uma idéia particular; a "de fé conscienciosa"; eis porque se diz também: "a fé política". Ora, os homens podem envolver-se, por interesse num partido, sem ter fé nesse partido e a prova é que o deixam sem quaisquer escrúpulos, quando encontram o seu interesse algures, ao passo que aquele que o abraça por convicção é inabalável; persiste ao preço dos maiores sacrifícios e é a abnegação dos interesses pessoais que é a verdadeira pedra de toque da fé sincera. Contudo, se a renúncia a uma opinião, motivada pelo interesse, é um acto de desprezível covardia, é, ao contrário, respeitável, quando fruto do reconhecimento do erro em que se estava; é, então, um ato de abnegação e de razão. Há mais coragem e grandeza em reconhecer abertamente que se enganou, do que persistir, por amor-próprio, no que se sabe ser falso e para não se dar um desmentido a si próprio, o que acusa mais teimosia do que firmeza, mais orgulho do que razão, e mais fraqueza do que força. E mais ainda: é hipocrisia, porque se quer parecer o que não se é; além disso é uma acção má, porque é encorajar o erro por seu próprio exemplo.

O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objectivo, é, pois, um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações e não somente o facto de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que une, como conseqüência da comunidade de vistas e de sentimentos, "a fraternidade e a solidariedade", a indulgência e a benevolência mútuas. É nesse sentido que também se diz: a religião da amizade, a religião da família.

Se assim é, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza.

Porque, então, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e porque, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com o seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública.

Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um titulo sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa. Pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que por isto as tomem por "assembléias religiosas". Não se pense que isto seja um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara e a aparente confusão é devida à falta de um vocábulo para cada idéia.

Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum contacto material, por nenhuma prática obrigatória. Qual o sentimento no qual se devem confundir todos os pensamentos? É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para todos, ou, por outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, desde que sabemos que os mortos sempre fazem parte da humanidade.

A caridade é a alma do Espiritismo: ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes; eis porque se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.

Mas a caridade é ainda uma dessas palavras de sentido múltiplo, cujo inteiro alcance deve ser bem compreendido. E se os Espíritos não cessam de a pregar e a definir, é que, provavelmente, reconhecem que isto ainda é necessário. O campo da caridade é muito vasto: compreende duas grandes divisões que, na falta de termos especiais, podem designar-se pelas expressões: "Caridade beneficente e Caridade benevolente". Compreende-se facilmente a primeira, que é naturalmente proporcional aos recursos materiais de que se dispõe; mas a segunda está ao alcance de toda gente, do mais pobre ao mais rico. Se a beneficência é forçosamente limitada, nada além da vontade pode estabelecer limites à benevolência.

Que é preciso, então, para praticar a caridade benevolente? Amar ao próximo como a si mesmo: ora, para se amar ao próximo tanto quanto a si mesmo, amar-se-ão muito; agir-se-á para com outrem como se quereria que os outros agissem para conosco; não se quereria fazer mal a ninguém, porque não quereríamos que tal nos fizessem.

Amar ao próximo é, pois, abjurar qualquer sentimento de ódio, de animosidade, de rancor, de inveja, de ciúme, de vingança, numa palavra, qualquer desejo e pensamento de prejudicar; é perdoar os inimigos e retribuir o mal com o bem; ser indulgente para com as imperfeições dos seus semelhantes e não procurar a palha no olho do vizinho, quando não se vê a trave no seu; é cobrir ou desculpar as faltas dos outros, em vez de se alegrar em as pôr em evidência por espírito de aviltamento; é, ainda, não se fazer valer à custa dos outros; não procurar esmagar a pessoa sob o peso da sua superioridade; não desprezar ninguém por orgulho. Eis a verdadeira caridade benevolente, a caridade prática, sem a qual a caridade é palavra vã; é a caridade do verdadeiro Espírita, como do verdadeiro cristão; aquela sem a qual aquele que diz: "Fora da Caridade não há salvação", pronuncia a sua própria condenação, tanto neste quanto no outro mundo.

Quanta coisa haveria a dizer a tal respeito? Que belas instruções nos dão os Espíritos incessantemente! Sem o receio de alongar-me e de abusar da vossa paciência, senhores, seria fácil demonstrar que, em se colocando no ponto de vista do interesse pessoal, egoísta, se se quiser, porque nem todos os homens estão maduros para uma completa abnegação, para fazer o bem unicamente por amor do bem, seria fácil demonstrar que têm tudo a ganhar em agir deste modo e tudo a perder agindo diversamente, mesmo nas suas relações sociais; depois, o bem atrai o bem e a protecção dos bons Espíritos; o mal atrai o mal e abre a porta à malevolência dos maus. Mais cedo ou mais tarde o orgulhoso será castigado pela humilhação, o ambicioso pelas decepções, o egoísta pela ruína das suas esperanças, o hipócrita pela vergonha de ser desmascarado; aquele que abandona os bons Espíritos por estes é abandonado e, de queda em queda, vê-se, por fim, no fundo do abismo, ao passo que os bons Espíritos erguem e amparam aquele que, nas maiores provações, não cessa de se confiar à Providência e jamais se desvia do caminho recto; aquele, enfim, cujos secretos sentimentos não dissimulam nenhum pensamento oculto de vaidade ou de interesse pessoal. Então, de um lado, ganho assegurado; do outro, perda certa; cada um, em virtude do livre-arbítrio, pode escolher a oportunidade que quer correr, mas não poderá queixar-se senão de si mesmo pelas conseqüências da sua escolha.

Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e na sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento moral e intelectual; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na equitável remuneração do bem e do mal, conforme o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem excepções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada pela imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade que liga o mundo visível ao invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterna; aceitar corajosamente as provações, em vista do futuro ma is invejável que o presente; praticar a caridade por pensamentos, palavras e obras na mais larga acepção da palavra; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando alguma imperfeição da sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre exame e da razão e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da ciência a revelação das leis da natureza, que são as leis de Deus; eis o "Credo, a religião do Espiritismo", religião que se pode conciliar com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus. É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal. Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz e se pouparão males inumeráveis, que nascem da discórdia, por sua vez filha do orgulho, do egoísmo , da ambição, do ciúme e de todas as imperfeições da humanidade.

O Espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para a felicidade aqui na terra, porque lhes ensina a se contentarem com o que têm. Que os espíritas sejam, pois, os primeiros a aproveitar os benefícios que ele traz, e que inaugurem entre si o reino da harmonia, que resplenderá nas gerações futuras.

Os Espíritos que nos rodeiam aqui são inumeráveis, atraídos pelo objetivo que nos propusemos ao nos reunirmos, a fim de dar aos nossos pensamentos a força que nasce da união. Demos aos que nos são caros uma boa lembrança e o penhor da nossa afeição, encorajamento e consolações aos que estão necessitados. Façamos de modo que cada um recolha a sua parte dos sentimentos da caridade benevolente, de que estivermos animados, e que esta reunião dê os frutos que todos têm o direito de esperar.  

(Os realces e negritos não constam do texto original. Texto publicado na Revista Espírita, em Dezembro de 1868.)

OS ADORMECIDOS

A maioria de nós nos encontramos adormecidos. Ou, em outras palavras, em um estado de consciência de sono. Quem no-lo afirma são todos os grandes pensadores da história humana: De Hermes, no antigo Egito, a Buda; de Buda a Sócrates; de Sócrates a Jesus; de Jesus à atualidade.

"Grandes massas, supostamente religiosas, vão sendo conduzidas, através das circunstâncias de cada dia, quais fileiras de sonâmbulos inconscientes. Fala-se em Deus, em fé e espiritualidade, qual se respirassem na estranha atmosfera de escuro pesadelo. Sacudidas pela corrente incessante do rio da vida, rolam no turbilhão dos acontecimentos, enceguecidas, dormentes e semimortas até que despertem e se levantem, através do esforço pessoal, a fim de que o Cristo as esclareça.

A criatura necessita indagar de si mesma o que faz, o que deseja, a que propósitos atende e a que finalidade se destina. Faz-se indispensável exarminar-se, emergir da animalidade e erguer-se para senhorear o próprio caminho." (Emmanuel in Boa Nova)

Seja como for, demore o tempo que for... o fanal de cada um de nós é chegar ao despertar espiritual ou do Espírito. Não importa se você concorda, discorda, bata os pés e diga não! Evoluir, no Universo, é lei inexorável a que não podemos fugir.

"Nesse processo vitorioso, o Espírito se despe das escamas pesadas do ego, resultantes das reencarnações e consolida o Self, que o alçará às cumeadas dos altiplanos, para levantar voos mais audaciosos na direção de Deus, que o aguarda através dos milênios de evos." (Joanna de Ângelis in O Despertar do Espírito)

É isso aí, entende?!

LIBERDADE E AMOR...

O QUE A LIBERDADE TEM HAVER COM O AMOR?

A verdadeira liberdade somente é passível de ser construída nos terrenos do amor verdadeiro. Não há outro meio e nem outra forma! Podemos não gostar desta observação ou até sermos contra. Não importa! Assim é! Nada muda. E não precisamos nos "pré-ocupar", pois teremos a eternidade para realizarmos esse desiderato!

Quem ama, liberta!

Quem não sabe amar, aprisiona!

Ainda não conhecemos a amor em toda sua extensão e profundidade. Estamos tateando nos degraus iniciais desta longa escada que, no final, nos conduzirá a Deus. O amor nosso de cada dia, está mais pra egoísmo do que para algo diferente disto.

Amor tem haver com respeito, aceitação, perdão... E o amor que dizemos nutrir é tudo, menos isto. No entanto, é alguma coisa que, no longo futuro, será Amor. A caminhada é esta mesma, aos poucos, vamos afinando nossos sentimentos e entendimento. E um dia, estaremos amando a todos e a nós mesmos por igual.

TRÊS NOTAS

PRIMEIRA: É nos pequenos gestos que tocamos o coração das pessoas!!!    
                              

SEGUNDA: Acabei de chegar de um velório...  Nos últimos tempos, ao passar por situações similares, sempre penso o seguinte: Bem-aventurados os que tem a certeza da vida, pois serão consolados!


TERCEIRA: A carne é digna e venerável, pois é vaso de purificação, recebendo-nos para o resgate preciso; entretanto, para os espíritos redimidos significa “morte” ou “transformação permanente”. O homem carnal, em vista das circunstâncias que lhe governam o esforço, pode ver somente o que está “morto” ou aquilo que “vai morrer”. O Reino de Deus, porém, divino e imortal, escapa naturalmente à visão dos humanos. (Emmanuel in Caminho, Verdade e Vida, cap. 107)